Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo. (Efraim Medina Reyes)

Capa do livro

“Sou de uma raça indomável, que se movimenta rápido, o tipo de criatura que deixa um rastro de ânsia quando passa”. Não sei se pego estas palavras como um resumo do livro, ou como a descrição mais precisa de seu protagonista.
Rep, que vive como um artista, como um rebelde sem causa, como um vagabundo, nos joga dentro de seu mundo. Rejeita sua cultura e tenta viver como seus ídolos, e através deles nos mostra que não é tão desprezível quanto se faz acreditar.
As historias de Sid Vicious e Kurt Cobain, trágicas e doces, são contadas por Rep, que acaba por deixar escapar um romântico incurável, eternamente apaixonado por Uma Certa Garota.
Escondendo a poesia e toda a ternura com uma prosa feroz, violenta, desenfreada Efraim Medina Reyes diz a verdade incontestável: os maus também amam.

Um gostinho do livro, bonitos.

“Nem sempre fui bom com ela, melhor dizendo eu era um filho-da-puta. Amava-a tanto e não sabia o que fazer. Em vez de lhe dar o que eu sentia , de enchê-la com aquele amor áspero, eu o engolia. É uma coisa que eu ainda não entendo: seu amor me chegava fácil, em troca o meu não fluía para ela. Acredito que o amor dela reprimia o meu. Ela e o seu amor formavam uma substância espessa e o meu amor e eu ficávamos travados, então eu me enfurecia e ela não conseguia entender. Tratei-a mal muitas vezes porque estava desesperado mas a amava mais que a minha própria vida e quando ela se foi minha vida de apagou.

Quando soube que nunca mais ia tê -la, enlouqueci: Antes que se passe um segundo você terá morrido cem mil vezes, diz uma frase do Corão e eu tive que vivenciá-la. Ela não tinha deixado de me amar, mas seu amor estava doente e não suportava a minha presença. Vi toda a dor nos seus olhos, todas as minhas traições e mentiras, eu era a pessoa entre ela e eu, o rival impossível. Então, quando já não importava, o meu amor eclodiu: seu amor doente já não opunha resistência e o meu foi em direção a ela como um raio mas ela estava fechada. E o meu amor ficou comigo e houve gotas de sangue no meu silêncio. Ela se afastou e eu entrei no quarto do castigo, o menos florido de todos os manicômios, e ainda não saí.

Como não tenho a quem odiar eu o odeio, como não tenho a quem culpar eu o culpo, como não há inimigo eu o transformo em inimigo. O meu amor é sobrenatural, um pecado sem Deus, uma telenovela sem fim, um novo comercial de margarina. Como quem devo matar é a mim, mato o amor. Como sou o incendiário, o inominável, eu o nomeio. Como não consegui explicar a ela o quanto a amo, explico ao mundo.”

Primeiro post da linda Paula.

(p.s.: prometo ser menos breve e mais específica nos próximos textos. É essa mania de poetizar tudo)

One thought on “Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo. (Efraim Medina Reyes)

  1. coloca aquela citação linda, que calou a boca da Nora :D pleeease

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