Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe

um dos classicos, esse.. mas né, por mais dificil que seja falar dele, a gente tenta.

é um dos livros mais intensos que eu já li, e acredito que seja também dos mais intensos que já foram escritos. Primeiro porque o autor, Goethe, mantinha uma proximidade psicologica muito grande com o personagem principal, Werther; segundo pelo metodo que foi escolhido para escrever o romance, ou seja, por meio de cartas escritas pelo proprio Werther para um seu amigo, Por meio desses cartas, cria-se um efeito de confissão, de intimidade, através do qual conseguimos identificar nossos sentimentos mais profundos, e mais dificeis de serem descritos com aqueles que aflingem o jovem Werther.

não existe bom momento para ler esse livro, os sentimentos que consomem Werther, irão, de certa forma, consumir o leitor também, e os argumentos de Werther irão convence-lo. Isso que afirmo é tão verdade que, após o lançamento do livro, na Alemanha, houve uma onda de suicidios.

(mas não se preocupem, estou bem)

(… mais ou menos)

agora a parte MAAAAAAAIS legal, ou seja, a parte que coloco minhas citações favoritas. hehe

então, começando por uma curtinha:

‘O que eu sei, todos podem saber; meu coração, porém, somente a mim pertence.’

(um minuto de silencio, please, que essa é foda)

a segunda agora, muito boa também.

“Ah, como vocês são sensatos!!” exclamei sorrindo, “Paixão! Ebriedade! Loucura! Vocês, defensores da moral, tudo contemplam com tanta calma, tão indiferentes, vocês recriminam o bêbado, desprezam o louco, por todos passam como um sacerdote (…) Eu me embriaguei por mais de uma vez na vida, minhas paixões nunca estiveram distantes da loucura, e não me arrependo: porque foi assim que vim a compreender que, desde tempos imemoriais, foram considerados ébrios ou loucos os homens extraordinários, que realizam grandes coisas, coisas que pareciam impossíveis. Mas também na vida cotidiana é insuportável ouvir gritarem, quando alguém se comporta de maneira livre, nobre, inesperada: ‘Esse homem bebeu demais, está louco!’ Vocês, homens tão sóbrios e sábios, deviam envergonhar-se”

 

Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo. (Efraim Medina Reyes)

Capa do livro

“Sou de uma raça indomável, que se movimenta rápido, o tipo de criatura que deixa um rastro de ânsia quando passa”. Não sei se pego estas palavras como um resumo do livro, ou como a descrição mais precisa de seu protagonista.
Rep, que vive como um artista, como um rebelde sem causa, como um vagabundo, nos joga dentro de seu mundo. Rejeita sua cultura e tenta viver como seus ídolos, e através deles nos mostra que não é tão desprezível quanto se faz acreditar.
As historias de Sid Vicious e Kurt Cobain, trágicas e doces, são contadas por Rep, que acaba por deixar escapar um romântico incurável, eternamente apaixonado por Uma Certa Garota.
Escondendo a poesia e toda a ternura com uma prosa feroz, violenta, desenfreada Efraim Medina Reyes diz a verdade incontestável: os maus também amam.

Um gostinho do livro, bonitos.

“Nem sempre fui bom com ela, melhor dizendo eu era um filho-da-puta. Amava-a tanto e não sabia o que fazer. Em vez de lhe dar o que eu sentia , de enchê-la com aquele amor áspero, eu o engolia. É uma coisa que eu ainda não entendo: seu amor me chegava fácil, em troca o meu não fluía para ela. Acredito que o amor dela reprimia o meu. Ela e o seu amor formavam uma substância espessa e o meu amor e eu ficávamos travados, então eu me enfurecia e ela não conseguia entender. Tratei-a mal muitas vezes porque estava desesperado mas a amava mais que a minha própria vida e quando ela se foi minha vida de apagou.

Quando soube que nunca mais ia tê -la, enlouqueci: Antes que se passe um segundo você terá morrido cem mil vezes, diz uma frase do Corão e eu tive que vivenciá-la. Ela não tinha deixado de me amar, mas seu amor estava doente e não suportava a minha presença. Vi toda a dor nos seus olhos, todas as minhas traições e mentiras, eu era a pessoa entre ela e eu, o rival impossível. Então, quando já não importava, o meu amor eclodiu: seu amor doente já não opunha resistência e o meu foi em direção a ela como um raio mas ela estava fechada. E o meu amor ficou comigo e houve gotas de sangue no meu silêncio. Ela se afastou e eu entrei no quarto do castigo, o menos florido de todos os manicômios, e ainda não saí.

Como não tenho a quem odiar eu o odeio, como não tenho a quem culpar eu o culpo, como não há inimigo eu o transformo em inimigo. O meu amor é sobrenatural, um pecado sem Deus, uma telenovela sem fim, um novo comercial de margarina. Como quem devo matar é a mim, mato o amor. Como sou o incendiário, o inominável, eu o nomeio. Como não consegui explicar a ela o quanto a amo, explico ao mundo.”

Primeiro post da linda Paula.

(p.s.: prometo ser menos breve e mais específica nos próximos textos. É essa mania de poetizar tudo)

O Historiador (Elizabeth Kostova)

Esse livro eu encontrei completamente por acaso, apesar dele ser um dos melhores que eu já li, eu nunca tinha ouvido falar dele antes.

Tudo começou em um dia que eu estava esperando a mammina sair do trabalho pra eu voltar pra casa de carona e resolvi matar o tempo na livraria que tem do lado do serviço dela. É uma livraria de merda, parece mais um deposito. Mas, lá estava eu, naquele calor desgraçado de fim de dia, cansada, numa livraria mal organizada, folheando os livros.

Peguei esse livro e li a sinopse que fica atrás. Era uma edição de bolso estilo tijolo, pequena no tamanho mas larga na grossura. Dizia que era um livro inspirado na “historia de Vlad, o Conde Drácula, numa mistura magistral de folclore e mito” (niiiiice).

Bom, eu fiquei entusiasmada logo de cara, porque tinha acabado de ler o Drácula do Bram Stoker e tinha ficado meio desapontada com ele. Sabecúme, todo mundo fala tanto no Drácula.. Drácula daqui, Drácula de cá, sangre, etc.. e no fundo o livro nem era tudo isso.  “O Historiador”, pra mim, foi tudo o que o Drácula não tinha sido. Na verdade, acho que foi até melhor, fez o Bram Stoker parecer um melodramático ingenuo do caralho.

Uma vez me disseram que um bom escritor é um cara que consegue falar sobre um assunto como se ele soubesse tudo a respeito, mesmo que ele não saiba nada. O importante é fazer o leitor achar que você sabe do que tá falando.  Se formos de acordo com essa descrição, a Elisabeth Koskova é uma genia. Mesmo que eu desconfie que ela realmente saiba tudo a respeito do Dracúla. Afinal, não é atoa que o livro levou dez anos de pesquisas para ser escrito.

“O Historiador” é uma mistura brilhantes de fatos e ficção, ele junta documentos antigos com lendas romenas, com lendas monásticas, com cartas, com romance, etc. É um genuíno cri de coeur. A cada pagina, se sente que nos esta sendo confiado um segredo importantíssimo. Esse efeito é produzido pela forma que a narradora distribui os documentos ao longo do livro. Na verdade, um estilo em parte inspirado na estrutura do Drácula de Bram Stoker, onde a narrativa é através dos diários dos vários personagens.

Outra coisa que me fascinou completa e absolutamente foram as descrições das cidades, de Istambul em particular. Me fez apaixonar por uma cidade na qual eu nunca estive, é possível? (o trecho abaixo)

‘ Minha perplexidade aumentou durante a viagem de taxi até a cidade. Não sei exatamente o que esperava de Istambul – nada, talvez, já que tivera tão pouco tempo para prever a viagem -, mas a beleza da cidade tirou-me o folego. Tinha um caráter de Mil e uma Noites que nem todos aqueles carros buzinando ou os executivos em ternos ocidentais conseguiam anular. A primeira cidade ali, Constantinopla, capital de Bizâncio e primeira capital da Roma cristã, deve ter sido extraordinariamente deslumbrante, pensei – um casamento entre a riqueza de Roma e o misticismo do inicio do cristianismo.

O livro faz a historia parecer uma coisa atual, viva. Como diz o próprio Drácula:

O passado é muito útil, mas só para o que pode ensinar sobre o presente. O presente é que é rico. Mas gosto muito do passado.

Eu poderia ficar aqui, a noite toda, citando. Mas acho melhor vocês lerem o livro, meus queridos. É apaixonante.

Por Chiara Costanzi

( mademoiselle kiki pros intimos)

besos

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