O Historiador (Elizabeth Kostova)

Esse livro eu encontrei completamente por acaso, apesar dele ser um dos melhores que eu já li, eu nunca tinha ouvido falar dele antes.

Tudo começou em um dia que eu estava esperando a mammina sair do trabalho pra eu voltar pra casa de carona e resolvi matar o tempo na livraria que tem do lado do serviço dela. É uma livraria de merda, parece mais um deposito. Mas, lá estava eu, naquele calor desgraçado de fim de dia, cansada, numa livraria mal organizada, folheando os livros.

Peguei esse livro e li a sinopse que fica atrás. Era uma edição de bolso estilo tijolo, pequena no tamanho mas larga na grossura. Dizia que era um livro inspirado na “historia de Vlad, o Conde Drácula, numa mistura magistral de folclore e mito” (niiiiice).

Bom, eu fiquei entusiasmada logo de cara, porque tinha acabado de ler o Drácula do Bram Stoker e tinha ficado meio desapontada com ele. Sabecúme, todo mundo fala tanto no Drácula.. Drácula daqui, Drácula de cá, sangre, etc.. e no fundo o livro nem era tudo isso.  “O Historiador”, pra mim, foi tudo o que o Drácula não tinha sido. Na verdade, acho que foi até melhor, fez o Bram Stoker parecer um melodramático ingenuo do caralho.

Uma vez me disseram que um bom escritor é um cara que consegue falar sobre um assunto como se ele soubesse tudo a respeito, mesmo que ele não saiba nada. O importante é fazer o leitor achar que você sabe do que tá falando.  Se formos de acordo com essa descrição, a Elisabeth Koskova é uma genia. Mesmo que eu desconfie que ela realmente saiba tudo a respeito do Dracúla. Afinal, não é atoa que o livro levou dez anos de pesquisas para ser escrito.

“O Historiador” é uma mistura brilhantes de fatos e ficção, ele junta documentos antigos com lendas romenas, com lendas monásticas, com cartas, com romance, etc. É um genuíno cri de coeur. A cada pagina, se sente que nos esta sendo confiado um segredo importantíssimo. Esse efeito é produzido pela forma que a narradora distribui os documentos ao longo do livro. Na verdade, um estilo em parte inspirado na estrutura do Drácula de Bram Stoker, onde a narrativa é através dos diários dos vários personagens.

Outra coisa que me fascinou completa e absolutamente foram as descrições das cidades, de Istambul em particular. Me fez apaixonar por uma cidade na qual eu nunca estive, é possível? (o trecho abaixo)

‘ Minha perplexidade aumentou durante a viagem de taxi até a cidade. Não sei exatamente o que esperava de Istambul – nada, talvez, já que tivera tão pouco tempo para prever a viagem -, mas a beleza da cidade tirou-me o folego. Tinha um caráter de Mil e uma Noites que nem todos aqueles carros buzinando ou os executivos em ternos ocidentais conseguiam anular. A primeira cidade ali, Constantinopla, capital de Bizâncio e primeira capital da Roma cristã, deve ter sido extraordinariamente deslumbrante, pensei – um casamento entre a riqueza de Roma e o misticismo do inicio do cristianismo.

O livro faz a historia parecer uma coisa atual, viva. Como diz o próprio Drácula:

O passado é muito útil, mas só para o que pode ensinar sobre o presente. O presente é que é rico. Mas gosto muito do passado.

Eu poderia ficar aqui, a noite toda, citando. Mas acho melhor vocês lerem o livro, meus queridos. É apaixonante.

Por Chiara Costanzi

( mademoiselle kiki pros intimos)

besos

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One thought on “O Historiador (Elizabeth Kostova)

  1. Paula Jabour diz:

    Dracula foi realmente uma GRADISSIMA FILHADAPUTAGEM de uma decepção pra mim.
    Vou tentar esse livro, quem sabe nao tira o trauma que Bram Stoker me deixou.

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